
João Carlos Bacelar: Vitória da Conquista não é Roma e não precisa de “Neros”
O deputado federal João Carlos Bacelar (PR) esteve neste sábado (24) em Vitória da Conquista para uma agenda com lideranças locais de seu partido e para uma conversa com o prefeito Guilherme Menezes, a quem reafirmou a autonomia do vereador Luciano Gomes para definir os rumos do PR na cidade, o que significa dizer: manter a aliança já anunciada de seu partido com o PT para as próximas eleições. Em entrevista ao Blog do Fábio Sena, o deputado esclareceu que as definições em nível estadual sofreram retardo em função do “cisma” nacional entre o PR e o governo da presidenta Dilma. Saneado o problema, diz ele, é hora de fazer as arrumações no Estado.
João Carlos Bacelar aproveitou a entrevista para mandar um recado duro ao seu correligionário, o deputado estadual Sandro Régis, cujas declarações a um programa de rádio local são sempre no sentido de criar instabilidade entre o PR e o PT na cidade. Não admito que venham intrusos, pessoas que não tem representatividade nenhuma, venham colocar lenha na fogueira. Esses têm que ser expulsos no voto. O partido aqui não pode ser apêndice, não pode ser de aluguel, tem que ter autonomia, tem que ser respeitado, tem que crescer como está crescendo”.

Com apoio de João Carlos Bacelar e de César Borges, Luciano tem autonomia para conduzir destinos do PR em Vitória da Conquista
LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
O ROMPIMENTO COM DILMA: “A reunião que a executiva nacional teve essa semana, em Brasília, à qual o presidente do PR baiano, César Borges, esteve presente, e da qual nós deputados federais participamos, definiu-se que os Estados vão ter autonomia. Inclusive vamos regionalizar o programa nacional do partido, vamos aproveitar nosso tempo de inserção e colocar nossos candidatos a prefeitos e a vereadores, ao invés de ficar só na figura nacional. Como vocês têm visto aí, esses últimos dias o Congresso Nacional passou por uma crise política muito forte; a presidenta Dilma, que a gente elegeu e de cujo governo eu tenho orgulho em apoiar no Congresso Nacional, deu alguns deslizes, e isso tem que ser dito. Há uma instabilidade da base a ponto de a Lei Geral da Copa não ter sido votada essa semana por falta de quórum. Desde que foram trocados os líderes no Senado e na Câmara, isso gerou um burburinho. O PR estava numa postura independente mas está voltando para a base do governo Dilma, do qual não deveria ter saído porque quando nós apoiamos o governo Dilma ela tinha 18 pontos abaixo do Serra e nós fomos o segundo partido a apoiá-la, primeiro foi o PT, depois o PR. O PMDB estava dividido, o PP está dividido, o PDT ficou do outro lado, então é justo que o partido participe do governo, que ajude ela a governar”.
A QUEDA DE ALFREDO NASCIMENTO: “Com a saída do deputado Alfredo Nascimento do Ministério do Transporte, o partido ficou meio desconexo junto à governança na área federal, mas acredito que com os ânimos acalmados, os bombeiros de plantão, dos quais faço parte, até porque não quero romper com o governo federal, tenho relacionamento bom com os ministros, tenho carinho muito grande pela presidenta e sou um voto contrário no partido contra o rompimento”.
AUTONOMIA DE LUCIANO GOMES: “Eu sempre defendi que o partido só é forte quando dá autonomia aos seus membros, aos seus dirigentes. Como o PR não aceita imposição da nacional junto ao Estado, automaticamente nos municípios não poderá ter essa imposição. Quando o vereador Luciano da Limeira assumiu a presidência do partido aqui no município, ele foi o melhor presidente que tivemos aqui, com todo respeito ao meu amigo ex-deputado Coriolano Sales, que presidiu o partido aqui, mas foi Luciano quem organizou, um rapaz de futuro. Luciano é uma espécie de mini prefeito aqui em Conquista, haja visto como ele trabalha nos povoados”0.
OS NEROS: “Eu disse ao senador César Borges que era justo que o Luciano conduzisse os destinos do PR em Vitória da Conquista e o senador nos concedeu que ele continuasse com o diretório. Acredito que isso vai apaziguar, vamos para o denominador comum; a tendência é que o partido nacionalmente resolva suas pendências junto ao governo federal e quando tudo isso for resolvido a situação ficará normal aqui no Estado da Bahia. Então, não vamos precipitar, as convenções ainda vão acontecer em junho, temos aí mais três meses. Eu espero que os “Neros”, que estão querendo tocar fogo na gasolina aqui na política de Vitória da Conquista para criar fato novo, não venham querer usar o Partido da República para isso”.
PARTIDO DE ALUGUEL: “Como representante do PR em Vitória da Conquista, não irei admitir que nenhuma autoridade política, nenhum deputado estadual venha querer influenciar na relação do partido com o município de Vitória da Conquista. O ex-senador César Borges é uma pessoa de fino trato e se, porventura, tivesse que ter qualquer modificação, a primeira pessoa a chamar seria a mim para ter essa conversa. Isso nunca aconteceu sobre os rumos de Vitória da Conquista. Não admito que venham intrusos, pessoas que não tem representatividade nenhuma, venham colocar lenha na fogueira. Esses têm que ser expulsos no voto. O partido aqui não pode ser apêndice, não pode ser de aluguel, tem que ter autonomia, tem que ser respeitado, tem que crescer como está crescendo”.